A mulher e a mulher de alguém. O homem e o companheiro/marido de alguém.
Nesse contexto, somos indivíduo e um papel social. Somos? Ou nós, mulheres, sempre fomos vistas através dos nossos papeis sociais? Na literatura, inclusive. O que era bastante comum.
Para mim, ser mulher inclui muitas coisas, não apenas os papeis sociais, mas sempre ouvi ou senti: “seja menos”, “diga menos”, “preserve-se”. E não coisas como “viva!”, “diga!”, “o que você sente?”, “o que importa pra você?”. Aprendendo a ser amada pelo que fazia, e não por quem era.
Eu vivi esse dilema por dias depois do aniversário de 33 anos. A minha versão antiga de traumas querendo voltar, mas a mulher que me tornei querendo ficar. Antes da virada da minha vida, me perguntava “Será que não consigo mudar o que me tornei até a juventude?” e descobri que era possível. E esses tempos, me perguntei: “E agora? Me sinto realizada, mas o que parece familiar ainda me gera culpa por renunciar”.
Será que nós, mulheres, sempre temos que escolher? E geralmente entre nós e os outros? Essa é uma das dores mais recorrentes entre nós: a abnegação, a renúncia.
E daquela vez, no passado, eram “os outros”. Não pensava em mais nada e abria mão dos meus desejos. Agora, quero priorizar a mim, ser a mulher de mim e continuar encontrando lugares de pertencimento.
Pensar nos meus sonhos, nos meus desejos. Escolho, hoje, me priorizar e recomendo que também se escolha, além do seus papeis sociais. Que tal?





